terça-feira, setembro 12, 2017

Conversa de botequim

Editorial
Folha de São Paulo

Reprodução
Rodrigo Janot encontra o advogado Pierpaolo Bottini num boteco de Brasília

Uma mera coincidência, segundo os personagens, reuniu neste sábado (9) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e Pierpaolo Bottini, advogado do delator Joesley Batista, da JBS, numa mesa de bar em Brasília.

Flagrados pela câmera de um frequentador do local, os dois disseram nada terem conversado sobre temas profissionais —muito menos, presume-se, acerca do pedido de prisão, apresentado no dia anterior pelo primeiro, do empresário cliente do segundo.

"Apenas amenidades", segundo a nota emitida pela Procuradoria, "entre duas pessoas que se conhecem por atuarem na área jurídica".

Consumado no domingo, o encarceramento de Joesley Batista e Ricardo Saud, também executivo da JBS, teve origem em diálogo gravado entre ambos, este de teor etílico mais elevado, e nos esclarecimentos que prestaram a esse respeito na semana passada.

Em depoimento, Saud disse ter recebido orientação de um então procurador, Marcello Miller, durante as tratativas para o acordo de delação premiada da JBS. Miller, ex-auxiliar direto de Janot, deixaria depois o cargo público para ingressar em um escritório de advocacia contratado pelo grupo controlador do frigorífico.

Joesley Batista, por sua vez, afirmou que dispõe de outros áudios capazes de incriminar terceiros, incluindo conversa com o ex-ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

Devido aos indícios de omissão anterior de informações como essas, Janot pediu —e o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, determinou— a suspensão do bombástico acordo fechado em maio com os delatores.

A providência se mostra correta no momento; decisão definitiva sobre o futuro da delação, porém, demanda análise mais cuidadosa.

Não apenas por isso, a tarefa não deve ficar a cargo de Janot, que, em sua derradeira semana no posto, há muito não exibe o necessário distanciamento diante do caso.

Primeiro, a injustificável imunidade penal concedida a Joesley Batista, no aparente afã de produzir acusação contra o presidente Michel Temer (PMDB); agora, sua proximidade com Marcello Miller.

A futura procuradora-geral, Raquel Dodge, decerto disporá de tempo e elementos para definir se propõe o cancelamento ou a renegociação do acordo com a JBS. O maior risco é o de a Justiça invalidar, por eventual ação ilícita, provas entregues pelos delatores.

São gravíssimos os indícios coletados sobre as condutas de Temer e aliados. Investigações precisam prosseguir, mesmo que só após o término do mandato do presidente —dado que este ganhou fôlego político com o descrédito de Janot.

Nos responda, ministro Fachin, porque todos nós queremos saber

Jorge Béja
Tribuna da Internet

 Existem dúvidas que Fachin precisa esclarecer

Ministro Edson Fachin, me responda, nos responda, porque precisamos saber. Antes, dois registros. O senhor é juiz da Suprema Corte e, como magistrado maior, todo o povo brasileiro é seu jurisdicionado. O senhor nos julga. Dá a palavra final e soberana sobre nossos direitos. Mas não será por isso que nós, povo brasileiro, não podemos comentar, debater, e até julgar suas decisões, como nos exorta e credencia Rui Barbosa (1849-1923): “Senhores juízes, vós que sois alevantados do povo para julgar os seus atos, lembrai-vos que este próprio povo julgará a vossa Justiça” (Cartas de Inglaterra).

O segundo registro – se é incomum a troca de mensagens entre o povo brasileiro e os ministros da Suprema Corte, pelo menos uma vez esta regra foi quebrada. No dia 26 de Junho de 2017, tive a honra de receber mensagem e-mail do ministro Luís Roberto Barroso. Foi em resposta a artigo que escrevi e publiquei intitulado “Bravo, bravíssimo ministro Barroso”. Eis um trecho da mensagem do seu colega de Corte, o ministro Barroso:

“Prezado Dr. Jorge Beja. Muito grato por sua mensagem, que me alegrou o espírito e me deixou honrado. Tenho tentado ser um soldado no combate à corrupção, venha de onde viver. Esta é a lição que precisamos aprender. Não há corrupção de esquerda ou de direita, do bem ou do mal. A corrupção é sempre uma derrota do espírito e precisamos enfrentá-la. Quanto ao seu concerto de piano em Brasília, me deixe saber de seu recital e, se puder, comparecerei com prazer. Desejo-lhe saúde e paz. Abraço cordial. Luis Roberto Barroso“.

É justamente sobre corrupção, isenção, imparcialidade, prisões, delações, que me levam a enviar esta mensagem ao senhor, com a certeza de que, se respondida for, a resposta será aqui publicada na íntegra. O senhor, no final da sexta-feira passada (dia 8/9), a pedido do procurador-geral da República, decretou a prisão provisória dos empresários Joesley Batista e Ricardo Saud. Porque são do conhecimento público, os motivos das prisões não precisam ser aqui referidos. Mas ficam pendentes de respostas as perguntas a seguir, que com toda reverência e respeito, creio ter, cremos ter, o povo brasileiro, de fazê-las ao senhor ministro Edson Fachin. Ei-las:

1) Não é de hoje que as ordens expedidas pelo Judiciário são eletrônicas e delas, o destinatário incumbido de cumpri-las fica ciente instantaneamente. Por que a Polícia Federal, então, não diligenciou as prisões de Joesley e Saud, como diligenciadas foram todas as demais, decorrentes da operação Lava Jato e de outras operações congêneres? Noticia-se que da expedição das ordens à Policia Federal até a apresentação voluntária de Batista e Saud, decorreram mais de 36 horas.

2) Por que o senhor ministro, na decisão que decretou as prisões, teve o cuidado de escrever que as mesmas deveriam ser efetivadas com as cautelas para preservar a imagem dos que seriam aprisionados? Imagem seria honra, reputação, respeito, dignidade de Joesley e Saud?

3) Por que a prisão foi provisória, qual o perigo que representava  a liberdade de Joesley e Ricardo, e o que deles se pode obter em cinco dias em benefício da investigação?

4) A homologação do acordo de delação premiada que o senhor ministro assinou é sentença. Em processo, penal ou civil, não existe homologação que não seja sentença. Homologação não é despacho interlocutório, nem de expediente, ou de qualquer outro título. Homologação é sentença.  E a homologação (sentença, portanto) previa benefícios inimagináveis para quem relatou a prática de tantos crimes, e crimes de lesa-pátria. A liberdade de ir e vir, total, ampla e sem a mínima restrição, foi um dos benefícios homologados. Indaga-se: com a decretação da prisão, o próprio magistrado sentenciante reformou sua própria sentença? Tanto é processualmente possível? Ou somente o colegiado da Suprema Corte que o senhor integra poderia rescindir a sentença homologatória que o senhor assinou?

5) Em 02/06/2017, a agência Estado noticiou que deputados governistas protocolaram na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara um pedido de explicação ao senhor, relator da Operação Lava Jato. Os 32 parlamentares, segundo noticiado, questionavam a relação do ministro Fachin com o delator Ricardo Saud, do Grupo J&F, que o teria ajudado na campanha de 2015 para que o nome do senhor fosse referendado no Senado como ministro do STF. Segundo a agência Estado, no documento os parlamentares fizeram cinco perguntas ao senhor, que foram:

“a) em que condições os pedidos de apoio aos senadores se fizeram e se deles resultou algum compromisso com parlamentares e a JBS;

b) se na época o ministro tinha conhecimento das práticas criminosas da JBS, em especial de Saud;

c) se o fato de estar acompanhado de Saud poderia implicar em desabono de sua conduta como ministro ou comprometer o exercício de suas  funções;

d) qual o motivo da escolha de Saud para a “delicada missão” junto aos senadores:

e) e quando e onde Fachin conheceu Saud e quantas vezes esteve com ele no Congresso ou fora dele”.

6) O senhor ministro chegou a responder às indagações dos deputados? Ou o questionamento não teve prosseguimento ou ainda aguarda tê-lo?

7) É mesmo verdade que o senhor foi acompanhado de Saud aos gabinetes dos senadores pedir apoio para a sua aprovação na “sabatina” no Senado? Se verdade for, como o senhor se sente agora, ministro da Suprema Corte, ao mandar prender quem se empenhou em ajudá-lo, lado a lado, num passado recentíssimo?

Estou certo, estamos certos, todo o povo brasileiro, que o senhor não ficará magoado, aborrecido, nem muito menos desconfortado com o que contém esta mensagem que parte de um brasileiro de 71 anos de idade, de vida ilibada, com 45 anos de exercício da advocacia e sem mácula, levíssima que fosse, em seus registros, na Ordem dos Advogados do Brasil e muito menos na Polícia. E com relevantes serviços prestados ao país e aos vitimados da incúria estatal, dos acidentes e dos infortúnios que os acometeram.

Do Rio de Janeiro para Brasília, no 11 de Setembro de 2017

Jorge Béja (Jorge de Oliveira Beja)

O golpe do morubixaba

Sebastião Nery
Tribuna da Internet


Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

E de repente o Procurador Geral da República quis dar o golpe do cacique, do morubixaba: “Até dia 17, a caneta estará na minha mão. Enquanto houver bambu, vai ter flecha”. No Brasil já vimos golpe de marechal, golpe de general, golpe de coronel. Agora é a primeira vez que se vê a cabeleira ensaboada da princesa Leopoldina tentando dar um golpe.

Quem denuncia é o respeitado jurista e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso, com toda a autoridade de sua toga veneranda, desde nossos tempos da saudosa faculdade de Direito de Minas Gerais:

“Janot afirma que o presidente recebeu dinheiro, mas ou o dinheiro não chegou a ele ou não se tem provas disso. A denúncia se baseia mesmo em uma ilação. Não há um conjunto forte de provas. Ao meu ver, trata-se de uma denúncia inepta. Está claro que foi precipitada. Falta investigação neste caso. Basear uma denúncia apenas em uma delação? O que disse Loures? Que o dinheiro era para o presidente? A peça deveria comprovar essa tese para pedir sua condenação. Sem isso, a denúncia fica descabida. Em prol de uma melhor investigação, acho que valeria até soltar o Rocha Loures para ampliar o prazo.  O fatiamento da denúncia prejudica a própria denúncia e é totalmente político. Só serve para tumultuar o tribunal, o poder legislativo e o próprio governo. Toda essa questão deveria ser examinada de uma só vez. Não se amontoa o Supremo dessa forma. O fatiamento é despropositado, atrapalha até a investigação e a relação entre os fatos. É muito cedo para se falar em condenação ou absolvição. Nem sabemos ainda se a Câmara vai autorizar (uma eventual instauração de ação penal contra Temer no Supremo Tribunal Federal). Mas, diante do que já disse, da falta de uma conjunto robusto de provas, a denúncia fica comprometida.”

DIREITOS HUMANOS – Na promulgação do texto constitucional, nascido na Assembleia Nacional Constituinte, o grande Ulysses Guimarães anunciava a “Constituição Cidadã.” Não começava no seu capítulo I, pelo Estado, mas pela importância constitucional dos direitos humanos. Soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana, valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, além do pluralismo político é sua base introdutória.

Político com P (maiúsculo), possuidor de sólida formação jurídica, o advogado paranaense, Osvaldo Macedo, foi ativo parlamentar na elaboração da Constituição. Em encontro recente, ele destacava que deve ser missão da sociedade e dos brasileiros conscientes a defesa intransigente pelos momentos dramáticos que estamos vivendo. A redemocratização de três décadas vem enfrentando solavancos autoritários originários dos tempos do regime militar. Ela é uma pedra no caminho dos aventureiros institucionais.

LÍDERES VALENTES – Pesquisa Datafolha apontava que 69% dos brasileiros adultos acreditam “que este País necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar sua fé”.

É o populismo salvacionista em estado bruto, pavimentado no ilusionismo deslegitimador da ordem institucional. Nas eleições gerais de 2018, em momento de indignação nacional, o Estado Democrático de Direito estará no centro dos debates, com a deterioração da política partidária e o fundamental combate à agressividade da corrupção pública e privada. É nesse cenário que poderão vicejar as candidaturas que se alimentam na busca de soluções fáceis e subvertedoras dos valores democráticos.

‘Nós não vai ser preso’

Editorial 
O Estado de S.Paulo

Diálogo entre Joesley Batista e Ricardo Saud revelou ao País de que maneira criminosos confessos souberam explorar a sofreguidão de Rodrigo Janot em sua cruzada irresponsável para derrubar o presidente Temer

A divulgação da íntegra de um diálogo gravado entre Joesley Batista, dono da JBS, e um dos diretores de sua empresa, Ricardo Saud, revelou ao País, com toda a clareza, de que maneira criminosos confessos souberam explorar a sofreguidão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em sua cruzada irresponsável para derrubar o presidente Michel Temer.

A gravação do diálogo foi feita pelo próprio Joesley, supostamente sem querer, quando este e Saud preparavam o gravador para ser usado em uma das tantas armações que o empresário estava urdindo contra diversos políticos, entre os quais, como se sabe, o próprio Temer. Joesley repassou esse e outros áudios à Procuradoria-Geral no dia 31 passado, no momento em que circulavam informações segundo as quais a Polícia Federal havia encontrado sinais de diálogos apagados no gravador que o empresário entregou para perícia. Caso ficasse constatado que Joesley omitira algo da Procuradoria-Geral, o acordo de colaboração premiada que celebrou com Rodrigo Janot e que lhe valeu um inacreditável perdão judicial poderia ser rescindido.

A versão corrente é que Joesley não sabia que entre os arquivos que entregou no dia 31 estava a espantosa conversa com Ricardo Saud, seu subordinado, participante ativo das mutretas engendradas pelo empresário. Como tudo nesse escandaloso episódio, porém, não é possível acreditar nas aparências. Só o que ficou absolutamente claro para todos nessa gravação é que Joesley pretendia fazer o País inteiro de bobo para escapar da Justiça e usou para isso o procurador-geral da República – resta saber se com a anuência deliberada deste ou apenas contando com a imprudência que não tem faltado a Janot.

A segurança de Joesley sobre o sucesso de sua tramoia era tanta que, no diálogo, ele garantiu, como falso matuto: “A realidade é: nós não vai ser preso. Vamos fazer tudo, mas nós não vai ser preso”.

Entre um drinque e outro, Joesley e Saud, como camaradas em um botequim, falaram de mulheres, de corrupção e de como era fácil entregar o que os procuradores da República queriam para, em troca, ganhar a doce liberdade. A chave era tratar todos os políticos como criminosos, exatamente como pretendem certos paladinos do Ministério Público. “É só começar a chamar esse povo (os políticos) de bandido. Esses vagabundo bandido, assim”, explica Joesley, de maneira didática. A isso, o empresário chamou de “falar a língua” dos procuradores.

Não é de hoje que parte dos procuradores da República envolvidos na luta contra a corrupção, especialmente Rodrigo Janot, parece ter entendido que seu trabalho é realizar o saneamento da vida política nacional, razão pela qual quem quer que lhes ofereça qualquer fiapo de denúncia contra qualquer político, de preferência as mais graúdas autoridades da República, será considerado confiável e terá tratamento de colaborador. Joesley percebeu isso e tratou de bolar um plano para entregar o prêmio máximo: o presidente da República.

O estratagema incluía, segundo se confirma pelos diálogos, a ajuda de pelo menos um auxiliar direto de Rodrigo Janot, o procurador Marcelo Miller, que mais tarde deixaria a Procuradoria-Geral e seria contratado pelo escritório de advocacia que fez o acordo de leniência da JBS. “Nós somos do serviço, né? (A gente) vai acabar virando amigo desse Ministério Público, você vai ver”, disse Joesley ao subordinado. “Nós vai virar amigo desse Janot. Nós vai virar funcionário desse Janot”, prosseguiu, dando gostosas gargalhadas.

Há trechos nos diálogos que indicam a suposta participação de outros procuradores na articulação de Joesley para obter o acordo de delação premiada, que incluiu o grampo por meio do qual o empresário tentou incriminar o presidente Michel Temer. E há uma perturbadora menção ao próprio procurador-geral: “O Janot está sabendo”, diz Joesley.

Para coroar a desfaçatez, Joesley divulgou nota em que diz que tudo o que falou naquela gravação “não é verdade” e pede “as mais sinceras desculpas por esse ato vergonhoso e desrespeitoso”. Escarnecendo do País, Joesley tenta assim salvar o generoso acordo que Janot lhe deu de presente. Já o procurador-geral terá de se esforçar bem mais para salvar o que resta de dignidade em sua biografia.

Fachin errou ao decretar a prisão, deveria ter levado o pedido ao plenário do STF

Jorge Béja
Tribuna da Internet


Fachin anulou a delação e extrapolou sua competência

Ao decretar a prisão de Joesley, o ministro Fachin rescindiu, ou seja, anulou o pacto de delação premiada que o empresário tinha celebrado com o Ministério Público Federal e que o próprio Fachin, monocraticamente, sozinho, portanto e sem ouvir o plenário do Supremo Tribunal Federal, havia homologado. Em qualquer processo judicial, homologação é sentença. E este é um ponto que se percebe que ninguém se lembra e nem para ele atenta. Homologação é sentença, sim senhor. Nada na Justiça é homologado a não ser através de sentença. Chama-se sentença homologatória. Geralmente as sentenças homologatórias são de poucas palavras.

Exemplo: “Homologo por sentença o acordo de folhas para que surta seus devidos e legais efeitos”. “Homologo os cálculos da contadoria de folhas tais”. “Homologo os honorários periciais postulados às folhas tais”. E por aí vai. Portanto, são sentenças.

NÃO PODE – Daí a pergunta: uma sentença pode ser rescindida pelo próprio juiz que a proferiu? Não, não pode. Logo, se conclui que a sentença monocrática de Fachin e que homologou o acordo de delação premiada de Joesley somente poderia ser rescindida pelo plenário do STF. E só depois de rescindida, isto é, de anulado o acordo, é que a prisão do delator poderia ser decretada.

E não foi isso que aconteceu. Seja Joesley, seja de qualquer outro delator, seja quem for, de Joesley a Geddel, a sentença que homologa acordo de delação que previa a liberdade do delator, como é o caso do Joesley, garantia que o delator permanecesse livre.

Portanto, para que sua prisão fosse decretada era preciso, primeiro, que a sentença de Fachin que homologou o acordo de delação fosse rescindida. Só depois de rescindida é que o relator, ou o próprio plenário do STF, estaria autorizado a mandar prender Joesley.

FACHIN ERROU – Em resumo: Joesley teve sua delação premiada homologada. E homologação é sentença. A delação previa a liberdade de Joesley. Somente a rescisão (anulação, reforma, desconstituição) da sentença é que deixaria Joesley desprotegido contra eventual ordem de prisão. E sem que a sentença homologatória fosse rescindida, e no gozo da plena garantia jurídica da liberdade que o acordo homologado lhe assegurava, Fachin, ele próprio e monocraticamente, mandou prender Joesley. Não parece acertada a decisão de Fachin.

Processualmente raciocinando, o pedido de prisão de Joesley que o procurador-geral da República entregou ao Supremo sexta-feira passada deveria ter sido levado ao plenário da Corte já nesta próxima terça-feira, para que fosse examinado e decidido pela coletividade de ministros. Certamente o plenário iria rescindir a sentença, por causa da gravação em que o próprio Joesley é ouvido dizendo que não contou tudo e relatando outras vantagens que não precisam ser aqui repetidas, de tão chatas que e irritantes que são.

OUVIR O PLENÁRIO – Na gravação, tudo que sai da boca daquele caipira criminoso dá nojo de escutar. Mas, à luz da lei processual, era necessário ouvir primeiro o plenário do STF.

Portanto, este decreto de prisão que Fachin, sem ouvir o plenário, expediu e mandou prender Joesley, é rigorosamente ilegal, ainda que moralmente oportuno e devido. Mas nem tudo que é moral é legal e vice-versa, embora moralidade e legalidade devessem andar juntinhas, coladas e inseparáveis.

E mais: por que prisão provisória e não preventiva? Mas tudo isso que está acontecendo é por causa do texto da Lei nº 12.850, de 2.8.2013 (Lei da Delação Premiada). É uma lei bastante confusa e de péssima redação e inconstitucional, apesar da sua importância para combater a corrupção e no descobrimento da verdade nos crimes. Ela uma lei que dá margem a múltiplas interpretações.

QUASE SAIU BRIGA – Na última — e talvez única — sessão plenária do STF em que a lei foi discutida, o ambiente ficou tenso. Quase saiu briga.

Até o ministro Barroso perdeu a serenidade, a doçura de seu tom de voz para dar o seu coerente voto e que foi objeto de artigo publicado na “Tribuna da Internet”, em louvação ao ministro. E Barroso leu o artigo e prontamente respondeu, agradecido e emocionado:

Sou um soldado em defesa da legalidade, do que é justo, da moralidade e de um Brasil que venha ter ordem e progresso”, disse Barroso em mensagem que me dirigiu após ler o artigo intitulado “Bravo, bravíssimo, ministro Barroso!”, que a ele dediquei.

LEI EMBRULHADA – Voltemos à lei. Meu Deus do céu, como ela é confusa! Ela desdiz a si própria. A “Colaboração Premiada” vai do artigo 4º ao 6º. Poucos artigos, não é? Poucos, mas suficientes para embrulhar o meio de campo, como se diz no jargão do futebol. Vejam só: o “caput” (a cabeça) do artigo 4º diz que o juiz até poderá conceder o perdão judicial. Ora, para que tanto aconteça, é preciso sentença. Juiz só condena, só absolve e só dá o perdão através de julgamento. E julgar é sentenciar. Não há outro nome.

Já o parágrafo 7º do mesmo artigo 4º diz que celebrado o contrato de delação premiada, este (o contrato, ao ajuste, o termo) é remetido ao juiz apenas para a homologação, que se dará se o juiz verificar sua regularidade, legalidade e voluntariedade. Ué, qual a função do juiz? Homologar ou julgar. Se for homologar, a lei dá ao delegado de polícia e ao ministério público um poder que nenhum dos dois tem, que é o de jurisdição, isto é, de decidir e mandar para o juiz apenas para homologar.

COITADA DA TICIANA – Vamos aguardar os acontecimentos relativos à prisão do desbocado caipira Joesley, que é recentíssima neste domingo. Coitada da meiga e angelical Ticiana Villas Boas, que certa vez foi tão terna comigo que ela e eu, ao telefone, choramos juntos, mesmo sem nos conhecer (o fato que ocorreu entre Ticiana e eu já foi objeto de artigo aqui na TI).

Mas coitada dessa moça, culta, doce, bela, e nela tudo é beleza, convivendo com um homem que fala “nóis vai”: “Nóis não vai ser preso não”….

Janot, STF e o conto do vigário aplicado por Joesley Batista

Percival Puggina
Tribuna da Internet

Charge do Mário (Arquivo Google)

Frequentemente, é a ganância das vítimas que viabiliza as atividades de quem vive de vigarices. Nesse tipo de golpe, o espertalhão se apresenta como alguém meio ingênuo que oferece ao alvo escolhido um negócio muito vantajoso. Seduzida pela possibilidade de um ganho fácil e rápido, a vítima agarra a oportunidade com as duas mãos. Foi o que fez o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, quando contatado para a delação dos donos da J&S. E caiu num espetacular conto do vigário.

À medida que os fatos vão sendo revelados, percebe-se que Janot estabelecera uma agenda para que o final de seu mandato ocorresse em clima de verdadeira apoteose. Ele teria sido o homem que denunciara o presidente da República, parte expressiva dos grandes figurões dos três últimos governos e, por fim, enquadrara toda a cúpula do PT, incluindo dois ex-presidentes, apontando Lula como o chefe da organização criminosa.

GRAN FINALE – Batman e Robin trabalhando juntos não fariam melhor no combate ao crime organizado. No entanto, a pressa em construir seu gran finale restringiu a prudência e lhe proporcionou, bem ao contrário, um grosso fiasco.

Na emoção de derrubar Temer, o procurador-geral não hesitou em ajustar com seus supostos colaboradores um verdadeiro Powerball na loteria das delações. Quem viveu para ver, viu, porque nunca mais alguém terá uma vida de crimes recompensada com tanta cortesia oficial. Foi-nos dada a oportunidade de contemplar, boquiabertos, fraudadores de muitos bilhões, corruptores de mão cheia, deixarem o país cercados de seus mais sofisticados bens e sob a proteção de salvaguardas principescas.

Comprado o gato como se lebre fosse, Janot levou o bichano ao ministro Edson Fachin, que lhe alisou o pelo e assinou no lado esquerdo da operação. Dias depois, em meio a indignado clamor nacional, o plenário do STF carimbou e selou o negócio tal como fora feito. Nunca antes um golpe do vigário foi tão sacramentado.

OS ENGANADOS – Agora, quando as novas gravações tornam ainda mais afrontosa a complacência do acordo feito com os Batista Brothers, quando o ministro Fachin faz cara de paisagem e quando a ministra Cármen Lúcia pede investigações urgentes e rigorosas, o ministro Fux  prima pela prestidigitação dos fatos, dizendo que os dois irmãos “enganaram o MPF e a sociedade”. Opa, ministro! Deixe-nos fora dessa. Os enganados, na lambança, foram o MPF, o procurador-geral e o STF.

Desde as primeiras notícias, a sociedade, pagadora de todas as contas, escandalizou-se com as imprudências que cercaram a delação e com o assombroso acordo que a recompensou e os senhores endossaram. Queira Deus que a embrulhada não afete o instituto da colaboração premiada nem invalide o conjunto probatório nela produzido!

Delator da JBS relata orientação de Miller ao preparar acordo de delação

Letícia Casado e Reynaldo Turollo Jr.
Folha de São Paulo 

Reprodução
Ricardo Saud, um dos delatores do grupo J&F, que controla a JBS

O delator Ricardo Saud, executivo do grupo J&F, que controla a JBS, relatou em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República), prestado na quinta-feira (7), que recebeu orientação do ex-procurador Marcello Miller durante a elaboração do acordo de delação premiada da empresa.

Miller foi auxiliar do procurador-geral, Rodrigo Janot, até meados do ano passado, quando voltou a trabalhar na Procuradoria no Rio de Janeiro. Em 5 de abril, ele foi exonerado do Ministério Público Federal e passou a advogar para o escritório Trench Rossi Watanabe, que negociou o acordo de leniência (de pessoa jurídica) do grupo J&F.

"[Saud afirmou] que Joesley dizia que era esse o motivo, a correção das notas [fiscais]; que na terça posterior ao segundo encontro, já estava com tudo pronto e houve uma briga quando falou sobre José Eduardo Cardozo [ex-ministro da Justiça]; que Marcelo Miller disse que o depoente pararia na cadeia se aquilo fosse verdade [...]", diz trecho do depoimento.

Saud relatou ainda, no depoimento, que contou a Miller sobre um encontro que teve com o ex-ministro Cardozo, que havia sido gravado, e sobre outras gravações que faria –tudo isso antes de o acordo com a PGR ser fechado.

"[Saud afirmou] que disse a Marcello Miller gue gravaria o [senador] Ciro Nogueira (...); que disse a Marcello Miller que gravou José Eduardo Cardozo; (...) que Marcello Miller disse que aquilo daria cadeia, que iriam para cima dele, depoente, e José Eduardo Cardozo; que depois dessa conversa Marcello Miller saiu da sala e estava mandando mensagens no celular; que achou isso estranho, o fato de mandar mensagens logo após essa conversa; que não mostrou a gravação de José Eduardo Cardozo a Marcello Miller, apenas mostrou um pen drive", segundo o depoimento.


PRISÃO

Ao pedir a prisão do ex-procurador e dos delatores Saud e Joesley Batista, dono da JBS, a PGR destacou que há "indicativo de que Marcello Miller, ainda na condição de procurador da República, teria, em princípio, ajudado os colaboradores a filtrar informações, escamotear fatos e provas e ajustar depoimentos e declarações, em benefício de terceiros que poderiam estar inseridos no grupo criminoso [formado pelos delatores]".

Na última quarta (6), o escritório Trench Rossi Watanabe respondeu a uma solicitação de informações feita pela PGR e encaminhou documentação interna a Janot.

"Entre os documentos apresentados constam elementos de que, antes de março do corrente ano, Marcello Miller já auxiliava o grupo J&F no que toca o acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal. Há, por exemplo, trocas de e-mails entre Marcello Miller e advogada do mencionado escritório, em época em que [ele] ainda ocupava o cargo de procurador da República, com marcações de voos para reuniões, referências a orientações à empresa J&F e indícios de tratativas em benefícios à mencionada empresa", escreveu Janot no pedido de prisão.

Para a PGR, há indícios de que Miller tenha cometido o crime de exploração de prestígio, além da possibilidade de ter sido cooptado pela organização criminosa composta pelos executivos da JBS, "passando, em princípio, a integrá-la".

Joesley e Saud tiveram prisão decretada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin. O pedido de prisão de Miller foi negado pelo ministro.

Neste domingo (10), Miller divulgou nota em que afirmou que "jamais fez jogo duplo ou agiu contra a lei". 

A verdade vos condenará.

Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Há gente, sem a qual uma ladroeira desse porte seria inviável, festejando a liberdade. Estão enganados: o tesouro em dinheiro vivo encontrado no apartamento do amigo de Geddel traz o “Abre-te Sésamo” de investigações que poderão chegar a resultados espetaculares. Esqueçamos os dólares e euros: nossa moeda (e nosso tema) é o Real. Os quase 43 milhões de reais.

Imaginemos que o caro leitor tenha fundos para sacar R$ 30 mil de sua conta no banco. Não basta dirigir-se ao caixa: é preciso ligar antes, marcar hora, porque o banco não armazena grandes quantias. Sua transação será comunicada às autoridades e pode entrar nos cruzamentos de informações do seu Imposto de Renda. Aliás, essa comunicação às autoridades é feita a partir de retiradas, cheques ou remessas de R$ 5 mil em diante.

Como ensinou Deep Throat, o delator que ajudou os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward a decifrar o escândalo de Watergate, que derrubou o presidente americano Richard Nixon, siga o caminho do dinheiro. Como é que Geddel pôde juntar R$ 43 milhões sem explicações?

Ou os bancos não informaram as autoridades ou as autoridades fecharam os olhos. Nos dois casos, a falha é suspeita. Não se diga que os corruptores já mandaram as propinas em dinheiro vivo: grandes empresas fazem transferência bancária, pagam em cheque, emitem boletos. Esta é a hora de seguir o caminho do dinheiro. Chegarão aos bancos, ao Governo, a ambos?

Os puros

No quadro de investigações e denúncias da Lava Jato e conexos, brilham  os bancos pela ausência. Devemos imaginar que nenhum banco nacional ou estrangeiro concordou em dar apoio a campanhas eleitorais, em nome, claro, da democracia?  Nenhum terá oferecido um pixuleco a quem poderia ajeitar alguma situação desconfortável? Nem o BNDES, fonte inesgotável de empréstimos a juros baixíssimos, subsidiados por nós, a empresas como a J&F, de Joesley, controladora de JBS, Friboi e outras?

É difícil acreditar que justo quem trabalha com dinheiro nunca tenha sido procurado.

Os impolutos

Há casos que mostram bom relacionamento entre bancos e governantes. Um ocorreu quando uma analista de investimentos fez previsões sombrias, e o próprio Lula exigiu sua demissão (lembra? “Essa moça que falou não entende porra nenhuma de Brasil e não entende nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessas num cargo de chefia... Pode mandar embora e dar o bônus dela para mim que eu sei como é que falo”). O banco demitiu a analista imediatamente. Ninguém terá recebido o tal bônus, como agrado?

O demolidor

Não nos esqueçamos de que o ex-ministro Antônio Palocci fez um depoimento devastador por conta própria, sem delação premiada. Ele, antes de qualquer outro petista, estabeleceu contato com os bancos. Sabe o que o sistema financeiro fez no verão passado. Sua delação premiada promete.

O autogolpe

“Quando a esperteza é muita”, ensinava o sábio político mineiro Tancredo Neves, “vira bicho e come o dono”. Joesley Batista pensava ser esperto, depois que gravou uma conversa comprometedora com Michel Temer, para entregá-la à Procuradoria, em troca de pagar uma multinha, ficar livre e se mudar com a família, o dinheiro e as empresas para os EUA.


O mundo real

Não era tão esperto assim. Numa gravação que entregou à Procuradoria, havia uma conversa com assessores diretos em que diz grosserias sobre a presidente do Supremo, usa frases que lançam suspeitas sobre as relações com um procurador que o investigava (e logo se demitiu, mudando de lado, para trabalhar com seus advogados), insinua ter sob controle vários ministros do STF. Há duas versões sobre o áudio que gravou e entregou:

1. Não conhecia direito o gravador, que se liga sozinho quando há som. Ao apagar a gravação, não sabia que ela fica fora do alcance, mas um perito a recupera. Só é mesmo apagada quando algo for gravado em cima.

2. Queria vincular seus assessores à delação, para evitar traições.

Em qualquer caso, agiu como amador. E a Polícia Federal é profissional.


Sonho impossível

Joesley tinha um sonho: fazer a delação premiada antes de ser preso, ficar livre, levar suas empresas para os Estados Unidos (talvez a holding J&F para a Irlanda, onde a tributação é mais civilizada), viver no Primeiro Mundo. Acontece que o acordo da delação prevê a perda dos benefícios em caso de omissões ou falsidades. Seus bens podem ficar indisponíveis. Ele e as empresas podem ser acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. As ações podem ser leiloadas para cobrir multas e prejuízos. O segundo maior acionista do grupo, o BNDES, passaria a controlador). Temer não perderia a chance de se vingar.

Quem tudo quis nada vai ter.

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Democracia de boteco

Lúcia Guimarães 
O Estado de S.Paulo

A saúde das democracias depende de normas não escritas tanto quanto de leis

Entre o Procurador Geral da República se disfarçando com a eficiência do Inspetor Clouseau e o dono inebriado da maior processadora de proteína animal do mundo se gabando de planos para destruir o Executivo, temos dois exemplos de uma tendência destrutiva. A saúde das democracias depende de normas não escritas tanto quanto de leis. Quando figuras com poder político, legal ou econômico derrubam tabus de compostura, a mensagem para o público é clara. Na mesma semana em que o Inspector Janot fez sermão – “Ninguém está acima da lei” – ele foi flagrado no canto de um boteco com o advogado do homem que havia mandado prender. Violou a lei? Não. Desmentiu o próprio discurso? A resposta pode ser encontrada nas inevitáveis piadas que inspirou via rede social.

Três anos e meio depois do começo da Lava Jato, os brasileiros que enfrentaram a recessão provocada, em parte, por inúmeros acusados, terão razão de desconfiar do poder simbólico que se atribui à investigação. Se normas de conduta coletiva são sistematicamente canceladas entre poucos privilegiados, por que respeitá-las quando ninguém está prestando atenção?

O mal-estar que as pesquisas de opinião revelam nos Estados Unidos e a exacerbação de divisões desde a campanha presidencial vêm do desrespeito a normas, um exemplo que Washington já vinha dando aos americanos antes de 2016. Se um presidente violar a lei, ele ainda será punido. Mas a penalidade por desrespeito à conduta associada a funções públicas foi drasticamente reduzida.

Ao contrário dos brasileiros, calejados na expectativa de um sistema que criou o slogan “Rouba, mas faz,” os americanos estão descobrindo o quanto sua democracia depende do que não está escrito na Constituição. Todos os presidentes, desde Jimmy Carter, divulgaram sua declaração de renda. O atual, não. Desde 1968, todos os presidentes acatam um ato anti-nepotismo que os impede de popular a Casa Branca com parentes. O atual, não. Até o tabu óbvio do pós-guerra – nenhum nazista merece tolerância – foi quebrado na reação presidencial espontânea à violência neonazista em Charlottesville.

Agência Brasil acusa Fachin de ter desprezado as provas de Janot contra Miller

Tribuna da Internet
André Richter, Agência Brasil


Através da EBC, governo faz grave acusação a Fachin

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem provas de que Marcello Miller, ex-procurador da República, atuou em favor do grupo JBS durante o período em que trabalhou no Ministério Público Federal (MPF). Ao pedir a prisão do ex-procurador, que foi rejeitada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, Janot indicou que e-mails de um escritório de advocacia mostram que Miller auxiliou a empresa no acordo de leniência com o órgão.

Os documentos foram encaminhados à PGR pelo escritório que contratou Miller após ele deixar o MPF. “Há, por exemplo, trocas de e-mails entre Marcello Miller e advogada do mencionado escritório, em época em que ainda ocupava o cargo de procurador da República, com marcações de voos para reuniões, referências e orientações a empresa J&F e inícios de tratativas em benefícios à mencionada empresa”, sustentou Janot.

PRISÃO NEGADA – Na sexta-feira (dia 8), Fachin negou pedido de Janot para que Miller fosse preso por entender que ainda não há indícios para justificar a medida em relação ao ex-procurador, acusado por Janot de fazer “jogo duplo”em favor da JBS durante o período em que estava no Ministério Público Federal (MPF), antes de pedir demissão para integrar um escritório de advocacia que prestou serviços ao grupo empresarial.

Em nota, a defesa de Miller informou que o ex-procurador “nunca atuou como intermediário entre o grupo J&F ou qualquer empresa e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot ou qualquer outro membro do Ministério Público Federal”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Esta matéria está muito estranha. André Richter é um excelente jornalista. Seu texto é afirmativo e peremptório, ao revelar que Janot anexou provas ao pedido de prisão de Miller que foram desprezadas pelo relator Fachin. A Folha foi conferir a matéria e disse que o e-mail é datado de 5 de março. Miller pediu demissão em 23 de fevereiro e foi exonerado dia 4 de março. O e-mail não indica que ele já estivesse trabalhando no escritório de advocacia. Aliás, demonstra justamente o contrário. Em tradução simultânea, tem alguém mal-intencionado aí e há duas hipóteses: 1) Ou é mentira do informante que municiou o repórter da Agência Brasil, uma subsidiária da EBC, que é controlada pelo Planalto; 2) Ou o próprio Janot ou sua equipe fomentou a intriga. Qualquer das hipóteses é um escândalo. A Agência Brasil não pode ser usada com objetivos políticos e criminais. E a Procuradoria não pode acusar Fachin de desprezar provas que não existiam na realidade. (C.N.).

Janot cita e-mails que mostram jogo duplo de ex-procurador

O Globo 

Troca de mensagem entre Miller e uma advogada do escritório que representa a JBS ocorreu quando ele ainda era procurador

  Fabio Guimarães / Agência O Globo 08/09/2017
O advogado Marcello Miller é suspeito de atuar na defesa 
da JBS enquanto era procurador 

BRASÍLIA -O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, juntou documentos que indicam a existência de um jogo duplo por parte do ex-procurador Marcello Miller no acordo colaboração premiada dos executivos do grupo J&F, controlador da JBS. Miller foi procurador da República até abril deste ano, mas deixou o cargo e passou a integrar o escritório de advocacia contratado pelos delatores.

Segundo Janot, antes mesmo de trocar o Ministério Público Federal (MPF) pela nova função, Miller teria orientado os executivos. Para corroborar seus argumentos, o procurador-geral citou uma troca de e-mails entre Miller e uma advogada do escritório quando ele ainda era procurador, e um depoimento prestado na última quinta-feira por Ricardo Saud, diretor da JBS.

No depoimento, Saud também afirmou que gravou um encontro que teve com o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, do qual também participou o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS. Segundo Janot, esse e outros áudios não foram entregues ao Ministério Público. Para piorar, foram levados ao exterior, “em aparente tentativa de ocultação dos arquivos das autoridades pátrias, o que reforça o intento de omitir alguns fatos, após a orientação de Marcello Miller”. Omissões são vedadas no acordo de delação premiada e podem levar à suspensão de benefícios.

“Antes de março do corrente ano, Marcello Miller já auxiliava o grupo J&F no que toca o acordo de leniência firmado pela empresa com o MPF. Há, por exemplo, trocas de e-mails entre Marcello Miller e advogada do mencionado escritório, em época em que ainda ocupava o cargo de procurador, com marcações de voos para reuniões, referências a orientações à empresa J&F e inícios de tratativas em benefícios à mencionada empresa”, anotou Janot na sexta-feira, no documento que pediu a prisão de Miller, Saud e Joesley.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), porém, determinou a prisão apenas de Joesley e Saud. O escritório com o qual Miller trocou e-mails e no qual passou a trabalhar depois é o Trench Rossi Watanabe. Ele e a advogada com quem mantinha contato no escritório já não trabalham mais lá.

De acordo com Janot, nos depoimentos prestados da última quinta-feira, Joesley e Saud “reconheceram que há informações e áudios não entregues”, mas também “foram evasivos, deixaram de apresentar fatos importantes e levantaram explicações confusas”. Assim, “é possível que estejam nesse momento destruindo ou ocultando outras provas que possam corroborar as afirmações envolvendo a prática desveladas no áudio”.

A defesa de Marcello Miller informa que só teve acesso às informações da PGR ontem e está preparando as medidas cabíveis. Em nota, Cardozo disse que foi procurado em seu escritório em março deste ano, oito meses depois de ter deixado o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, a JBS estava interessada em contratar seu serviços. Por isso, foi ao encontro na casa de Joesley: “Posso afirmar que (a conversa) não envolveram, em absoluto, qualquer ato ilícito”. Também em nota, o escritório Trench Rossi Watanabe informou que está colaborando com as investigações e “entregando todos os documentos solicitados pela Procuradoria-Geral da República”. O escriório afirmou ainda que nem Miller, nem a advogada com quem ele trocou e-mails trabalham mais lá.

O estrago causado pelo PT

Editorial
O Estado de S.Paulo

Desvios na Petrobrás são muito maiores que os detectados em auditorias anteriores; documentos mostraram o custo real de alguns equipamentos específicos da indústria de petróleo

A partir das provas obtidas pela Operação Lava Jato, auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) constataram que os desvios na Petrobrás são muito maiores que os detectados em auditorias anteriores. Em algumas obras, o prejuízo chega a ser 70% acima do cálculo anterior, revelou o Estado. É mais um passo na difícil tarefa de avaliar, em sua real dimensão, os danos causados ao País pela empreitada petista de tomar o Estado para seus fins particulares.

A revisão do valor dos danos baseia-se em informações obtidas com a quebra de sigilo de algumas empreiteiras investigadas. O TCU recebeu da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, do juiz Sérgio Moro, notas fiscais emitidas por fornecedores de materiais usados pelas empreiteiras nas obras da Petrobrás. Os documentos mostraram o custo real de alguns equipamentos específicos da indústria de petróleo, que antes não constava dos sistemas oficiais de pesquisa de preços consultados pelo tribunal. A comparação dos valores praticados no mercado com os previstos nos contratos deixou patente que o rombo era ainda maior.

O TCU reavaliou um contrato relativo ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e três da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Segundo os auditores do tribunal, a Petrobrás perdeu, apenas nesses quatro contratos, R$ 3,7 bilhões, em valores atualizados.

No contrato da Petrobrás com o consórcio integrado pela Odebrecht e a UTC Engenharia para a construção da Central de Desenvolvimento de Plantas de Utilidades (CDPU), uma das estruturas mais importantes do Comperj, houve um superfaturamento 70% maior do que o apontado pela auditoria anterior. As perdas saltaram de R$ 295 milhões para R$ 505 milhões. Em valores atualizados até outubro de 2016, os prejuízos chegam a R$ 686 milhões. A fiscalização mostrou que, a cada R$ 10 pagos pela Petrobrás ao consórcio, R$ 4 eram indevidos.

Também se constatou que a própria realização do contrato com o consórcio foi irregular, com dispensa de licitação. “Essa contratação ocorreu por meio de pagamento de propinas a gestores da Petrobrás e apresentação à Diretoria Executiva de ‘emergência fabricada’, com premissas falhas e justificativas insubsistentes”, afirma o relatório. Os auditores do TCU propõem o bloqueio dos bens de seis pessoas, entre executivos da estatal e das empreiteiras, e de sete empresas dos grupos integrantes dos consórcios, incluindo UTC e Odebrecht, para garantir o ressarcimento dos prejuízos.

Na Refinaria Abreu e Lima, a reavaliação do TCU apontou um prejuízo 32% maior na Unidade de Destilação Atmosférica (UDA) e de 15% na Unidade de Hidrotratamento de Diesel (UHDT), em contratos envolvendo a Odebrecht e a OAS. Notas fiscais de 2009 permitiram descobrir um sobrepreço de R$ 1,36 bilhão nos dois empreendimentos. Antes, estimava-se um prejuízo de R$ 1 bilhão. Em valores do ano passado, o desvio chega a R$ 2,1 bilhões.

Os técnicos do TCU também revisaram as contas relativas às obras de implementação das “tubovias”, o complexo de 60 mil toneladas de dutos da Refinaria Abreu e Lima, empreendido pela Queiroz Galvão, em consórcio com a Iesa. O sobrepreço inicial, de R$ 605 milhões, foi reavaliado em R$ 689 milhões. Corrigido, o valor alcança R$ 1 bilhão.

O resultado impressiona: quatro contratos geraram um prejuízo à Petrobrás de R$ 3,7 bilhões. No momento, o TCU refaz as contas de, pelo menos, mais nove contratos da Abreu e Lima, da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e também da Usina de Angra 3, gerida pela Eletronuclear. Não é novidade o estrago causado pelo PT, mas é bem-vinda uma avaliação de suas reais proporções, seja para cobrar as reparações, seja para evidenciar o custo que representou ao País a passagem do sr. Lula da Silva e de sua pupila Dilma Rousseff pela Presidência da República. Não é possível que, depois de tão amarga experiência, os embustes do populismo lulista ainda possam enganar algum incauto eleitor.

MPF denuncia Lula por corrupção passiva na Operação Zelotes

 Da Redação
Veja online

MPF afirma que o ex-presidente e o ex-ministro Gilberto Carvalho pediram 6 milhões de reais em propina para viabilizar edição de uma medida provisória

(Ueslei Marcelino/Reuters)
Ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva - 05/07/2017 

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela segunda vez na Operação Zelotes. O petista foi acusado de corrupção passiva junto do ex-ministro Gilberto Carvalho (PT). Os procuradores dizem que os petistas pediram 6 milhões de reais em propinas para viabilizar a elaboração e a edição da Medida Provisória 471/09, que prorrogou por cinco anos benefícios tributários às empresas do setor automobilístico

A Justiça Federal já aceitou uma acusação apresentada anteriormente contra Lula e o filho dele, Luiz Cláudio Lula da Silva, pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Zelotes. Na semana passada, o ex-presidente foi denunciado outras duas vezes pela Procuradoria-Geral da República, por formação de organização criminosa e por obstrução à Justiça. As duas últimas acusações da PGR foram no âmbito da Operação Lava Jato.

Outras cinco pessoas foram denunciadas por corrupção ativa: os empresários Carlos Alberto de Oliveira Andrade (Grupo Caoa) e Paulo Arantes Ferraz (MMC – Mitsubishi), o ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) José Ricardo da Silva, o lobista Alexandre Paes dos Santos e o executivo Mauro Marcondes Machado.

Segundo os procuradores da República Frederico Paiva e Hebert Mesquita, a elaboração da Medida Provisória envolveu promessas de pagamentos de vantagens indevidas a intermediários do esquema e a políticos. A montadora MMC teria repassado à empresa M&M, de propriedade de Mauro Marcondes, metade do valor acertado para abastecer o esquema fraudulento. Segundo os procuradores, a M&M foi um canal de recebimento e distribuição da propina.

Do total repassado à M&M, segundo o MPF, Lula e Gilberto Carvalho ouviram a promessa de que teriam acesso a 6 milhões de reais para custear campanhas eleitorais do PT. O grupo criminoso teria começado a atuar junto ao governo em junho de 2009, após o ex-conselheiro do Carf José Ricardo Silva ter recebido de Ricardo Rett, diretor jurídico da M&M, duas cartas endereçadas a Lula com pedidos de alteração legislativa.

Os documentos sugeriam que as mudanças fossem feitas por meio de Medida Provisória, o que veio a acontecer. O MPF afirma possuir manuscritos, e-mails e atas de reuniões que comprovariam os laços entre os envolvidos no esquema e agentes do poder público.

Segundo o MPF, Lula e Gilberto Carvalho tinham exigido 10 milhões de reais em propinas, mas a quantia foi reduzida para 6 milhões de reais após a atuação de Mauro Marcondes. Para os procuradores, a Medida Provisória teve andamento atípico ao passar por três ministérios só no dia 19 de novembro de 2009.

Segundo o MPF, não há dúvidas de que Lula e Gilberto Carvalho praticaram crime de corrupção passiva ao aceitar a proposta apresentada por Mauro Marcondes, em nome da organização criminosa. Os procuradores declararam que a Medida Provisória, que favoreceu as montadoras de veículos MMC e Caoa, foi editada de forma célere e atípica, “exatamente nos termos encomendados”, sendo que foi “franqueado aos corruptores, inclusive, conhecimento do texto dela antes de ser publicada e sequer numerada“.

A ação penal será analisada pela 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília. Por falta de provas, o MPF decidiu não denunciar o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e a sócia da M&M e mulher de Mauro Marcondes, Cristina Mautoni.

‘Café’ era apelido de propinas a Lula e Gilberto Carvalho, diz Procuradoria

Fábio Fabrini, de Brasília, e Luiz Vassallo 
O Estado de São Paulo

Os petistas são acusados de cobrar R$ 6 milhões em troca de benefícios a empresas do setor automotivo na edição da Medida Provisória 471, que prorrogou incentivos fiscais a montadoras instaladas no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste

Foto: André Dusek/Estadão
Gilberto Carvalho. 

Em denúncia contra Lula na Zelotes, oferecida nesta segunda-feira, 11, o Ministério Público Federal destacou manuscritos apreendidos com o lobista Alexandre Paes dos Santos que supostamente demonstram pagamento de propinas ao ex-ministro Gilberto Carvalho, em benefício do ex-presidente. Os petistas são acusados de cobrar R$ 6 milhões em troca de benefícios a empresas do setor automotivo na edição da Medida Provisória 471, que prorrogou incentivos fiscais a montadoras instaladas no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste.

Segundo a Procuradoria, os valores a agentes públicos eram repassados pela montadora CAOA à empresa M&M, que atuou em parceria com outros dois intermediários do esquema: o ex-conselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), José Ricardo Silva e o lobista Alexandre Paes dos Santos.

De propriedade Mauro Marcondes – que também integram a lista de denunciados – a empresa M&M foi o canal utilizado para viabilizar o recebimento e a distribuição da propina, segundo a procuradoria. 

Os procuradores sustentam que além de garantir a edição e aprovação da MP no Congresso, os recursos também foram usados para comprar o cancelamento de um débito de R$ 265 milhões que era objeto de um recurso no Carf.

Do total recebido pela M&M, R$ 6 milhões foram prometidos ao ex-presidente Lula e a Gilberto Carvalho, segundo as investigações.

O Ministério Público Federal apreendeu um manuscrito com o lobista Alexandre Paes no qual consta ‘Café: Gilberto Carvalho’.

“É público e notório que a expressão “café”, na gíria brasileira, significa “propina”. Inquirido pela autoridade policial a esse respeito (fls. 569/572 dos autos), Gilberto Carvalho apresentou o que seria sua agenda para a semana dos dias 16/11/2009 a 22/11/2009 (fl. 579 dos autos). Ele estava em Roma com LULA nesse dia 16/11/2009, o que reforça a expressão “café” não como bebida servida em reunião, mas sim propina”, acusa a Procuradoria.

Os procuradores destacam que a Medida Provisória tramitou a ‘toque de caixa’, passando por três ministérios no dia 19 de novembro de 2009, ‘três dias depois do “café” com Gilberto Carvalho.

O Ministério Público Federal ainda ressalta que antes mesmo de ser publicada no Diário Oficial, a Medida Provisória já estava nas mãos do lobista que teria atuado em benefício da CAOA.

“No dia 22/11/2009, um domingo, José Ricardo encaminhou a Mauro e a Cristina cópia da minuta da MP, ainda sem número, e da exposição de seus motivos, antes mesmo que ela fosse publicada no Diário Oficial, o que só ocorreria em 23/11/200926 , segunda-feira, dia seguinte”, anotou.


COM A PALAVRA, LULA, GILBERTO CARVALHO E CAOA

O Estado entrou em contato com as defesas ou as assessorias de imprensa de Lula, de Gilberto Carvalho e de Carlos Alberto de Oliveira Andrade, mas ainda não obteve resposta.


COM A PALAVRA, MAURO MARCONDES MACHADO

O advogado Roberto Podval, que defende Mauro Marcondes Machado, disse que a denúncia repete imputações já feitas pelo MPF em outra ação contra seu cliente. “Há um excesso de acusação”, criticou.


COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOSÉ RICARDO DA SILVA

A defesa de José Ricardo da Silva informou, em nota, que só vai se pronunciar depois de citada, caso a denúncia seja aceita pela Justiça e aberta uma ação penal.


COM A PALAVRA, PAULO ARANTES FERRAZ

A advogada Carla Domênico, de de Paulo Arantes Ferraz, informou que ainda não pode comentar a peça de acusação, pois não teve tempo de examiná-la integralmente.

COM A PALAVRA, ALEXANDRE PAES DOS SANTOS

O advogado Daniel Gerber, que representa Alexandre Paes dos Santos, afirmou ter “a mais absoluta convicção” de que a denúncia é fruto de um “Estado acusatório”, e não do efetivo envolvimento de seu cliente em ilícitos. Ele acrescentou que, no curso de ação penal (caso seja aberta), a inocência de Paes será provada.

Saud diz que gravou Cardozo, mas áudio foi guardado no exterior

André De Souza
O Globo

Ex-procurador trocou e-mails com advogados da JBS antes de deixar o MPF

Marcos Alves / Marcos Alves/Agência O Globo
O ex-ministro José Eduardo Cardozo

BRASÍLIA — Em depoimento prestado na última quinta-feira, o executivo Ricardo Saud, do grupo J&F, controlador da JBS, afirmou que foi gravado um encontro do qual também participaram o empresário Joesley Batista e o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, essa e outras gravações não foram entregues ao Ministério Público. Para piorar, foram levadas ao exterior, "em aparente tentativa de ocultação dos arquivos das autoridades pátrias, o que reforça o intento de omitir alguns fatos, após a orientação de Marcello Miller".

Miller é ex-procurador da República e se tornou advogado dos executivos da JBS nas tratativas que levaram à celebração de um acordo de delação premiada com o Ministério Público. O problema é que, segundo Janot, antes mesmo de deixar o Ministério Público Federal (MPF), Miller já vinha trabalhando com os colaboradores, num jogo duplo. O procurador-geral pediu a prisão de Joesley, Saud e Miller, mas o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão apenas dos dois primeiros.

De acordo com Janot, nos depoimentos prestados da última quinta-feira, Joesley e Saud "reconheceram que há informações e áudios não entregues", mas também "foram evasivos, deixaram de apresentar fatos importantes e levantaram explicações confusas". Assim, "é possível que estejam nesse momento destruindo ou ocultando outras provas que possam corroborar as afirmações envolvendo a prática desveladas no áudio". Em outro trecho, Janot disse que Miller, quando ainda era procurador da República, "teria, em princípio, ajudado os colaboradores a filtrar informações, escamotear fatos e provas e ajustar depoimentos e declarações, em benefício de terceiros que poderiam estar inseridos no grupo criminoso".

Segundo o termo do depoimento prestado na semana passada, Saud disse que foi informado pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, sócio de Cardozo, de que o ex-ministro voltaria a advogar. Além disso, a JBS precisava de alguém para área de "compliance", que cuida justamente de fazer a empresa cumprir as leis e as regras. Assim, foi acertado um encontro, que ocorreu na casa de Joseley, um dos donos da JBS.

De acordo com um trecho do depoimento, citado no pedido de prisão de Janot, "Marco Aurélio chegou antes e disse que José Eduardo Cardozo estava muito bem, era intocável pela reputação imaculada, querendo vender os serviços". Saud disse ainda "que pagava a Marco Aurélio para ter uma 'reserva de boa vontade' caso precisasse de algo, o que nunca ocorreu".

Depois do encontro, Saud relatou que teve uma reunião com Marcelo Miller, na época procurador da República. O executivo disse que contou a Miller ter gravado a conversa com Cardozo, mas "inflando a conversa o máximo que pudesse, para ver qual seria a reação". Segundo ele, Miller "disse que aquilo daria cadeia, que iriam para cima dele, depoente, e José Eduardo Cardozo". Depois disso, o ex-procurador "saiu da sala e estava mandando mensagens no celular". Saud disse achar essa atitude estranha e que não chegou a mostrar a gravação, mas apenas um pen drive a Miller.

Um áudio já em poder da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornado público na semana passada mostra uma conversa entre Joesley, Saud e o diretor jurídico da JBS, Francisco de Assis e Silva, em que eles falam sobre uma tentativa de gravar uma conversa com Cardozo para, a partir daí, obter confissões dele sobre supostas irregularidades relacionadas a ministros do STF. Eles acreditavam que, se tivessem munição contra ministros da mais alta corte do país, também teriam mais chances de obter um acordo de delação mais vantajoso. A ideia seria demonstrar interesse na contratação do ex-ministro e, em seguida, gravar a conversa. Mas a estratégia não deu resultados. Cardozo teria rejeitado o jogo de sedução.

"Nota-se, em princípio e em uma análise perfunctória, por tais declarações, que Marcello Miller teria sugerido ao colaborador que escondessem elementos de informação que pudessem comprometer os advogados Marco Aurélio e José Eduardo Cardozo na venda de serviços à JBS. Tais fatos, ressaltamos, precisarão ser investigados para se confirmarem tais hipóteses. Há, ainda, referências a outras gravações, inclusive uma relativa à conversa com José Eduardo Cardoso, que não apenas deixaram de ser entregues ao Ministério Público Federal como foram levadas ao exterior, em aparente tentativa de ocultação dos arquivos das autoridades pátrias, o que reforça o intento de omitir alguns fatos, após a orientação de Marcello Miller", escreveu Janot no pedido de prisão contra Joesley, Saud e Miller.

"Entre os documentos apresentados constam elementos de que, antes de março do corrente ano, Marcello Miller já auxiliava o grupo J&F no que toca o acordo de leniência firmado pela empresa com o Ministério Público Federal. Há, por exemplo, trocas de e-mails entre Marcello Miller e advogada do mencionado escritório, em época em que ainda ocupava o cargo de procurador da República, com marcações de voos para reuniões, referências a orientações à empresa J&F e inícios de tratativas em benefícios à mencionada empresa", anotou o procurador-geral da República.

Em relação à gravação de quatro horas divulgada na semana passada, Janot reconhece que há nele "bazófias e fanfarronices", ou seja, os delatores se gabavam de coisas que não correspondiam à verdade. Mas também afirmou que esse áudio "pode levar à conclusão de que Marcello Miller vinha auxiliando os colaboradores antes de se desligar do Ministério Público". A gravação foi encaminhada à PGR como parte das revelações feitas contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o que, segundo Janot, pode indicar que foi entregue por engano.

"Não obstante tratar-se de fato extremamente grave, os colaboradores não narraram nem tampouco incluíram em anexos, por exemplo, nenhuma potencial conduta ilícita do ex-procurador da República. Até mesmo o nome do arquivo de áudio e o fato de ter sido incluído como possível suporte probatório ao anexo relativo ao senador Ciro Nogueira mostram gue nunca houve a intenção de trazer na colaboração, entre outros, atos em tese praticados por Marcello MIller", escreveu Janot.Assim, concluiu o procurador-geral da República para justificar o pedido de prisão, é bastante provável que eles "procurem funcionários ou outras pessoas com a finalidade de eliminar provas, combinar versões com testemunhas ou mesmo exercer pressões sobre essas pessoas, a fim de que não forneçam informações do interesse da investigação".

Ricardo Saud e Joesley Batista se entregaram no último domingo à Polícia Federal (PF) após a ordem de prisão determinada pelo ministro Edson Fachin. Em sua decisão, ele disse que há “múltiplos os indícios, por eles mesmos confessados, de que integram organização voltada à prática sistemática de delitos contra a administração pública e lavagem de dinheiro”. O pedido de prisão de Miller foi negado pelo ministro.

Na semana passada, após a divulgação do teor do novo áudio, Joesley Batista e Ricardo Saud soltaram nota para dizer que "não guardam nenhuma conexão com a verdade" as citações feitas a autoridades, como é o caso dos ministros do STF.


CARDOZO NEGA ILÍCITOS

Em nota, Cardozo disse que foi procurado em seu escritório de advocacia em março deste ano, oito meses depois de ter deixado o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, a JBS estava interessada em contratar seu serviços. Por isso, foi ao encontro na casa de Joesley. Disse também que, na condição de ministro da Justiça, cargo que ocupou entre 2011 e 2016, nunca praticou ou deixou de fazer qualquer ato em atendimento a pleitos da JBS.

"Embora em relação às conversas mantidas ao longo daquele jantar, eu esteja submetido a sigilo profissional, posso afirmar que não envolveram, em absoluto, qualquer ato ilícito. Afirmo também, peremptoriamente, que jamais disse, nessa oportunidade, ou em qualquer outra, que como advogado teria facilidade de obter sentenças favoráveis a quaisquer dos meus clientes no STF", disse Cardozo em nota.

Ele também rechaçou a notícia, divulgada pelo jornal "Folha de S.Paulo", de que Joesley relatou em depoimento ter celebrado um contrato fictício com Marco Aurélio Carvalho. Cardozo destacou que se tornou sócio dele apenas este ano, mas, de qualquer forma, ressaltou que nunca recebeu qualquer pleito da empresa por meio de Carvalho.

Afirmou ainda que, segundo o que lhe foi demonstrado, "referido contrato nunca foi fictício, tendo como contraprestação serviços de advocacia regularmente prestados, não existindo qualquer razão, portanto, para que se dê a menor credibilidade às palavras do Sr. Joesley, nesse caso, em relação à referência indevida que faz ao Dr. Marco Aurélio Carvalho, pessoa em quem deposito plena confiança pessoal.

Em nota, o escritório Trench Rossi Watanabe informou que está colaborando com as investigações e "entregando todos os documentos solicitados pela Procuradoria-Geral da República". Comunicou ainda que nem Miller nem a advogada com quem ele trocou e-mails trabalham mais por lá.

Na gravação da JBS, Cardozo fala sobre STF

Mauricio Lima
Veja online

Em depoimento à PGR, Ricardo Saud disse que o áudio está no exterior

 (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Informante - Cardozo: 
citado como alguém que poderia comprometer o STF 

No aúdio em que Ricardo Saud gravou José Eduardo Cardozo, o ex-ministro da Justiça discorre sobre quais políticos exercem influência sobre vários ministros do STF. Do encontro também participou o dono do grupo, Joesley Batista.

O executivo admitiu que esse áudio foi enviado ao exterior, o que Rodrigo Janot encarou como uma tentativa de ocultar provas da PGR.

Por que a JBS vendeu Moy Park para si mesma

Karin Salomão
Exame.com

Venda envolve “bolsos diferentes de uma mesma calça”, diz analista; compradora é subsidiária da JBS

(Divulgação/Divulgação)
Moy Park: A JBS comprou a europeia das mãos 
da Marfrig em 2015, por 1,5 bilhão de dólares 

São Paulo – Na manhã de hoje, 11, a JBS afirmou que vendeu sua participação na Moy Park, processadora de alimentos europeia, para a norte-americana Pilgrim’s Pride, por cerca de 1,3 bilhão de dólares. O objetivo, segundo fato relevante, é “amortizar dívida de curto prazo no Brasil e melhorar o perfil do seu endividamento e liquidez”.

O que o comunicado da JBS não fala é que a empresa compradora é, na verdade, uma subsidiária da própria JBS – ela tem cerca de 78% de participação na americana. “Essa é a grande questão. Não tem uma mudança efetiva de controle, já que são empresas do mesmo grupo”, afirma Shin Lai, estrategista e analista da Upside Investor.

Qual o motivo, então, por trás dessa operação? De acordo com Victor Luiz de Figueiredo Martins, analista da Corretora Planner, o negócio “foi a operação possível de se fazer”. Ele avalia que, diante da provável falta de um comprador que atendesse os preços que a JBS estava esperando, a venda para uma subsidiária foi a maneira que a empresa encontrou para alcançar seus objetivos.

Dessa forma, a JBS manteve seu plano de desinvestimentos e ainda levantou caixa. “Para a vendedora, traz os recursos que ela estava precisando. Para a compradora, gera sinergias. É uma operação ganha-ganha”, conclui Martins. “São todos bolsos de uma mesma calça. Se por um lado ela contrai dívidas, pelo outro levanta caixa”, afirmou.

Para a JBS, a maior vantagem é a melhora em seu balanço. Ainda que nos números consolidados da companhia o passivo continue o mesmo, a empresa afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a venda melhora seu perfil de dívida. “A JBS troca uma dívida de curto prazo no Brasil para uma dívida de longo prazo nos Estados Unidos”, respondeu.

Enquanto no Brasil as ações da JBS subiam, os papéis da Pilgrim’s Pride caíram na bolsa de Nova York durante o dia.


O que a JBS já vendeu

A JBS comprou a Moy Park das mãos da Marfrig em 2015, por 1,5 bilhão de dólares. Dois anos depois, a colocou à venda como parte de seu plano de desinvestimentos.

Em junho, a empresa colocou diversos ativos à venda depois de fechar um acordo de leniência com o Ministério Público Federal. A JBS deverá pagar 10,3 bilhões de multa, o que torna o acordo o maior desse tipo do mundo. A venda dos ativos será usada para reduzir o endividamento da empresa e, consequentemente, a alavancagem.

Em poucos meses, “a JBS já acumulou uma liquidez enorme até agora com essas vendas, que será usada para pagar o acordo e outros passivos que a empresa possa ter”, afirmou Lai.

Ela vendeu por 300 milhões de dólares as ações de suas subsidiárias na Argentina, Paraguai e Uruguai para subsidiárias da Minerva nos respectivos países. A holding J&F vendeu o controle da Alpargatas por 3,5 bilhões de reais. Os novos controladores da companhia são a Itaúsa – Investimentos Itaú S.A., Cambuhy Investimentos e a Brasil Warrant Administração de Bens Empresa S.A (BW).

No início de agosto, ela fechou acordo para vender sua participação na Vigor Alimentos para o mexicano Grupo Lala, por um valor de aproximadamente R$ 1,112 bilhão. A JBS tinha 19,43% de participação no capital da Vigor, vendida por aproximadamente 780 milhões de reais. Em setembro, o grupo holandês Paper Excellence comprou a Eldorado Celulose, empresa da J&F, pelo valor de 15 bilhões de reais. A operação deve ser finalizada em até 12 meses.

Valeu à pena?

Os analistas consultados por EXAME.com calculam que os valores pagos foram bons e adequados ao tamanho das companhias. “Dentro das condições atuais, tanto políticas quanto econômicas, a JBS conseguiu bons preços”, afirmou Martins, da Planner.

Como em qualquer operação do tipo, os preços tendem a baixar se a empresa coloca seus ativos à venda. “É um movimento natural de oferta e procura”, disse ele. Com pressa para levantar caixa, a JBS pode ter aberto mão de preços melhores, avaliam os analistas.

Outro motivo que pode afetar os preços é a insegurança jurídica da compra. “Numa aquisição rápida, a empresa não consegue investigar o ativo a fundo. Assim, não consegue definir o risco jurídico da operação e pode pedir um deságio”, afirmou Lai, da Upside Investor.

No entanto, os analistas avaliam que é difícil afirmar quanto as movimentações políticas e delações impactaram no valor dos seus ativos.

quarta-feira, julho 26, 2017

Mesmo com toda a crise, os três poderes continuam esbanjando recursos públicos

Tribuna da Internet
Deu no Correio Braziliense

A partir do cruzamento de dados e fontes, Correio traça uma radiografia dos gastos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, que, ao contrário do aperto geral das famílias, continuam esbanjando recursos públicos em detrimento do atendimento à população.

Sete meses depois de aprovar a Emenda Constitucional que impõe um teto de gastos ao longo das próximas duas décadas, o governo federal anunciou o aumento do PIS/Cofins incidente sobre os combustíveis. Enquanto serviços públicos definham e servidores aposentados de estados importantes passam privações a céu aberto, na contramão do discurso de austeridade a torneira pública continua a jorrar. O descaso com a população em geral não é privilégio do Executivo.

SEM EXCEÇÃO – Os outros dois Poderes que compõem a trinca democrática — Judiciário e Legislativo — também são exemplos danosos de descaso.

Levantamento feito pela OnG Contas Abertas mostra que o Parlamento brasileiro custa mais de R$ 1 milhão por hora. A fatura não envolve apenas os gastos de deputados e senadores com as verbas de gabinete e benefícios de passagens aéreas. Um legislativo funcionando é sinal de vitalidade da democracia, não há dúvida. É bom não esquecer, contudo, que essa conta envolve os dias de recesso parlamentar e as segundas e sextas, quando deputados e senadores abandonam Brasília para cuidar das próprias bases eleitorais.

Tão festejado nos últimos meses em virtude dos desdobramentos da Operação Lava-Jato, o Judiciário não é inocente nesse quadro de orçamento devastado. A Justiça brasileira custou R$ 175 bilhões ao contribuinte no ano passado, quase 270% a mais que em 2015. O dinheiro veio de empenhos do Ministério do Planejamento, e, segundo o Conselho Federal de Justiça (CNJ), responsável por fiscalizar o Poder Judiciário, todo o gasto é praticamente com o salário dos servidores.

ACIMA DO TETO – Os magistrados continuam recebendo vencimentos acima do teto constitucional de R$ 33,7 mil, maquiados em uma série de penduricalhos “legalmente” instituídos e trancados a sete chaves. Até os especialistas têm pouco acesso aos números. Pesquisadores da FGV, desde 2014, pediram os dados a 40 tribunais. Apenas 25 responderam e, desses, somente cinco explicaram objetivamente os números.

Apesar das evidências, magistrados negam os excessos. Enquanto isso, os serviços prestados despencam em qualidade. A saúde não atende os requisitos mínimos de atendimento em áreas que já foram referência em um passado recente.

Na capital federal, por exemplo, é preciso rodar, e muito, para conseguir encontrar em um posto de saúde pública uma vacina de febre amarela, doença endêmica que já esteve erradicada e voltou a assombrar as pessoas. No segundo maior estado brasileiro, o Rio de Janeiro, de madrugada, em filas nas portas de hospitais, em vez de atendimento médico, pacientes são vítimas de assaltos à mão armada. A mesma cidade já teve cinco crianças atingidas por balas perdidas nos primeiros sete meses deste ano. Uma delas na barriga da mãe.

FAZENDO BONDADES – No início da gestão, o Palácio do Planalto concedeu uma série de reajustes ao funcionalismo para tentar seduzir sindicatos e servidores, desconfiados com a abrupta interrupção do governo Dilma Rousseff. Eles pediram e levaram aumentos de salários que custarão mais de R$ 100 bilhões entre 2016 e 2019.

E mais está por vir: o carreirão (servidores de baixos salários), que fechou acordo para reajuste de 10,8% em dois anos, quer equiparação com a elite do funcionalismo, cujo aumento em quatro anos chegou a 27,8%. Essa nova fatura, se aceita pelo governo, pode somar R$ 16 bilhões.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em boa hora, o Correio Braziliense decidiu fazer uma série de matérias sobre desperdício de recursos públicos. Esta primeira reportagem foi só para comunicar que a gastança atinge, indistintamente, os três Poderes da República, fato que desperta revolta e engrossa o a ala dos brasileiros que defendem uma intervenção militar. (C.N.)